domingo, 26 de maio de 2013

Instituto do Câncer usa criatividade para lembrar campanha da OMS

O Instituto do Câncer de São Paulo em parceria com a Organizãção Mundial da Saúde - OMS teve um ideia original para lembrar o Dia Mundial de Higienização das Mãos, dia 5 de maio. Distribuiu entre os pacientes os "tsurus", origamis coloridos em forma de pássaro  que representam longevidade, saúde, sorte e felicidade.

Os pacientes por sua vez, entregam a seus médicos, durante a consulta, para lembrá-los sobre a importância da higienização das mãos, maneira mais eficiente de reduzir as infecções relativas à assistência à saúde.

Muita gente não só entregou a seu médico como também depositou pessoalmente os pássaros coloridos na caixinha dos "tsurus", onde se fazem pedidos. Cada paciente ganha cinco "tsurus", oferece um para o médico e ainda tem quatro pedidos.

Ao fundo, a árvore colorida de tsurus chama atenção dos passeantes. Ela foi "plantada" para dar seus frutos que são os desejos representados pelos "tsurus".

Dá para imaginar que desejos foram ali depositados? Cada qual com o seu e eu, claro, entrei na onda, vai que esse tsuru dê conta de todos os pedidos.
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quinta-feira, 23 de maio de 2013

Figurinhas Paulistas: D. Nair

Dona Nair é uma senhora viúva de 78 anos.
Pacata, faz tricô e crochê para as netinhas, não espera mais nada da vida...

Pera lá. Se alguém imagina que essa senhora idosa fica em casa fazendo tricô, tira o cavalinho da chuva.
Nair vai todo fim de semana para o baile, joga e já ganhou campeonatos de baralho, era monitora de guia,  foi eleita há alguns anos a Miss Simpatia 3ª Idade da cidade de São Caetano do Sul, dirige um Kazinho, aprendeu informática (já esqueceu), aprendeu a usar internet (também esqueceu). Segundo o geriatra, não é o alemão não, é próprio da idade. Apesar da memória falha, ela não esquece de viver a vida.

 Este fim de semana, com a virada Cultural de São Paulo, a levei (ou ela me levou?) para o evento no domingo. Ficamos no centro da cidade, numa praça onde estavam tocando samba fundo de quintal.
Quem diz que ela ficou sossegada? Basta escutar uma música que os pés começam a formigar.

A dona Nair chamou atenção e animou os que estavam por perto. A Taiana, Tatá, uma passista de escola de samba paulista que estava por perto com um amigo, achou graça e começou a dançar com ela. Foi um show.  Um gringo que estava por ali, adorou presenciar tudo aquilo. Bom, o rapaz que tinha cara de gringo arriscou uns passos e se percebia o esforço para dançar samba que, como minha amiga espanhola Olvido falava, parece estar matando baratas.
A dona Nair, minha mãe, é uma figurinha mesmo.
Este quadro visa homenagear as "figurinhas" que encontramos em Sampa. São pessoas que se destacam no meio de uma multidão sempre apressada. Sem elas certamente a cidade seria mais cinza.







quarta-feira, 15 de maio de 2013

Chanel N° 5 é fragância do Brasil


Conhecido mundialmente, Chanel n° 5, é mais brasileiro do que possamos imaginar.
O Linalol, óleo que serve como matéria-prima principal para produzir a fragância, é retirado de uma árvore típica brasileira: o Pau Rosa. Com nome científico Aniba rosaeodora var amazonica Ducke syn Aniba Duckei Kostermans, também é conhecido por pau-rosa-mulato, pau-rosa-itaúba e pau-rosa-imbaúba.

Inacreditável que a floresta Amazônica tem uma riqueza imensa e tão pouco explorada pelos brasileiros. Atenção, digo exploração ordenada dos recursos naturais, sem o desmatamento ou desastre ambiental, mas exploração da madeira em pé.

Desde 1967, quando houve o primeiro registro da extração dessa árvore, foram derrubados dois milhões de árvores degradando a natureza e, pior, não foi revertido nada para o brasileiro, como saúde, educação, trabalho.

O Chanel n° 5 é um dos perfumes mais caros do mundo e no Brasil chega a valer nas prateleiras de luxo até R$ 1.000. Ou seja, a matéria-prima é retirada do Brasil a preços módicos e retorna com majoração de 500% ou mais.

Hoje é o Pau Rosa, antigamente, durante o início da colonização e por quase três séculos os negociantes europeus traficaram o Pau-Brasil. Da madeira se extraía a tintura vermelha para vender a um mercado de luxo e para os cardeais da igreja católica.

E também a fórmula do chocolate, usado pelos índios brasileiros como bebida, foi roubada. Produto considerado rico pelos indígenas, era usado como moeda de troca.
Alguém pagou os royalties dessas explorações seculares?

Perfume, tintura, madeira, chocolate, o que mais vão tirar do Brasil sem reverter em benfício para os próprio brasileiros? Acorda, Brasil.

domingo, 5 de maio de 2013

Figurinhas Paulistas: "Só Love"

Uma das figurinhas mais simpáticas é o seu Rosevaldo, vulgo "Só Love". Na verdade seu apelido deveria ser "Peace and Love", porque está sempre de bom humor.
Só Love é fiscal do sistema de transportes de São Caetano do Sul, no Terminal Sacoman. Ele tem a tarefa de liberar a catraca para os passageiros pagarem apenas a diferença e depois reinstala novamente para a tarifa normal.
Todo dia pela manhã, ao final de reconfigurar o bloqueio, chama a atenção dos passageiros quando se despede desejando ótimo dia de trabalho. Se é começo de noite, ele solta um "bom descanso, pessoal", ou "tenham boa aula", para os estudantes da região. Também está no seu dicinoário de gentilezas um "bom fim de semana", "tenham ótimo feriado", "bom dia das mães" e por aí vai o seu repertório.

Alagoano, morando há 18 anos em São Paulo, certo dia começou a chover. Para surpresa de todos que estavam na fila do ônibus, ele saiu da proteção da estrutura, abriu os braços e ficou debaixo da chuva por algum momento. Alguém da fila perguntou: "Você tá louco, é?". Ele voltou e disse que aquela chuva, se fosse na terrinha dele, seria o melhor tesouro que os seus poderiam receber, tamanha é a seca. É a lição desse homem simples, que não tem muito, nem estudo, que aprendemos a observar as coisas simples da vida.

sábado, 27 de abril de 2013

Figurinhas Paulistas: a estátua que bebe água


Alguém já viu uma estátua beber água ou atender celular? Quem não viu pode comprovar o que estou dizendo na avenida Paulista, diante do Conjunto Nacional.  
A estátua parece ser uma daquelas de mármore carrara que encontramos expostas no Museu do Louvre, em Paris. Mas não precisamos ir muito longe para as comparações. Em Salvador, na Bahia, praça de Campo Grande, encontramos algumas em tamanho reduzido, representando as quatro estações. Ou no Rio de Janeiro, a Imaculada Conceição, no Largo Machado, lembra também a nossa heroína. Mas nenhuma delas é a estátua da avenida Paulista, que bebe água e atende celular.
Com algumas moedas ou bilhetes depositados num cofrinho, a estátua se movimenta, faz uma reverência para a pessoa, entrega um presente que tira de um cesto, refaz uns movimentos e volta na sua posição pétrea.
É muito divertido observar a criançada com os olhos esbugalhados, fixos na direção dela. Devem se perguntar se é mesmo uma estátua. Algumas, curiosas, querem tocar, outras, morrem de medo. Mas os adultos também se divertem e observam a qualidade da performance e a perfeição da "fantasia".

Depois de uns 20 minutos endurecida pela sua obstinação, a estátua se transforma em Maria Angélia Gouvea Prioste Xavier. (Nossa, será que ela é descendente de D. Pedro II??? hahahaha.)
Angélica se senta no banquinho, que até então era pedestal. Tira o celular do bolso, lê algum recado, bebe da água que estava escondida debaixo do pedestal e dá uma relaxada nos músculos, movimentando os braços.

A jovem de 25 anos moradora do Tatuapé, é casada e tem uma filha. Ela ganha a vida fazendo-se de estátua. Já trabalhou em circo, fez mímica, teatro de bonecos e até andou em perna de pau. Vale tudo para ajudar no orçamento da casa, e hoje se vira nos 30 como palhaça e estátua.
Seu horário de trabalho é das 14h às 18h, de terça-feira a domingo. Mas se chover, diz ela, não rola de jeito nenhum.

quarta-feira, 24 de abril de 2013

O que é que São Paulo tem? Galeria do Reggae

Já mencionei mais abaixo sobre a Galeria do Rock. Atravessando esse edifício, chegamos à rua 24 de Maio, onde fica a Galeria do Reggae. O Centro Comercial Presidente possui lojas com tudo relacionado ao continente Africano: música, camisetas de Bob Marley, roupas coloridas estilo africano, berimbau e cabeleireiras especializadas em penteados afros, entre outros.
É o ponto de encontro de africanos, quero dizer os legítimos, além dos brasileiros afros, curiosos e os perdidos como eu.
A grosso modo, os africanos possuem algumas diferenças, em comparação aos afro-brasileiros: a cor da pele bem preta, são mais altos e usam roupas dferentes. Os rapazes possuem cabelos bem curtos, vestem uma roupa comportada, do tipo quem vai à missa de domingo, jeans ou batas africanas. As moças, apliques de cabelo, com penteados produzidos. Pobres ou não, a certeza é que são cuidadosos na aparência. Falam francês, inglês ou dialetos esquisitos que ninguém entende. Diferente do cidadão português, eles articulam as palavras abrindo e fechando bem a boca.
É claro que há muita gente visitando essas galerias, inclusive famosos, como o rapper carioca MV Bill.  As tribos se misturam, podendo encontrar, por exemplo, roqueiros, turistas, loiros rastafaris e outras caras pálidas circulando por ali.
Difícil compreender por quê os africanos preferem São Paulo a Bahia,  onde há o maior número de negros no território brasileiro.
Por um bom tempo tentei fotografar um grupo de africanos, mas eles foram bem arredios e desconfiados.
Também pudera, uma senhora branca, de máquina em punho, interrogando como a Helô, personagem da Giovana Antonelli na novela, querendo fotografar africanos? Devem ter  imaginado ser eu da Polícia Federal e estava à procura de haitianos sem-papel. 
Por pouco esta reportagem ficava sem imagem. Quem me salvou foram esses quatro fofos, brasileiros, que tão somente com um pedido disseram imediatamente. "- Claroo!!!!"








quarta-feira, 10 de abril de 2013

Figurinhas Paulistas - as Cosplayers da Paulista

Este quadro visa homenagear as "figurinhas" que encontramos por Sampa.
São pessoas que se destacam no meio de uma multidão sempre apressada.
Sem elas certamente a cidade seria mais cinza.
Cosplay é a junção de duas palavras em inglês, costume (traje/fantasia) e play / roleplay (brincadeira, interpretação).
O cosplay é um hobby que consiste em fantasiar-se de personagens oriundos, em geral, de histórias em quadrinhos, games e desenhos animados japoneses.

São na sua maioria adolescentes, que participam de encontros organizados, em locais próprios para o evento.
Estas aqui caminhavam tranquilamente pela Avenida Paulista, exibindo seus personagens. 
As meninas arrazaram!!!!!







sábado, 30 de março de 2013

Figurinhas Paulistanas - O sósia do Elvis Presley

São Paulo possui algo difícil de se encontrar em outras cidades brasileiras, a diversidade cultural. Nessa diversidade encontramos personagens hilários, divertidos, curiosos, interessantes ou extremamente simpáticos que fazem o dia a dia paulistano passar com mais leveza e alegria. São pessoas que se destacam no meio de uma multidão sempre apressada.
Este quadro visa homenagear essas figurinhas diferentes, pois sem elas certamente a cidade seria mais cinza.

Uma das peças raras é
Marcio Aguiar, que
se apresenta como Elvis
na avenida Paulista,
em frente ao Shopping
Center 3. 
O Elvis brasileiro extrapola com a performance do original: se joga no chão, fica de pernas para o ar e chacoalha o corpo inteiro, como se via nos musicais do cantor americano.

Aguiar dança caricaturalmente, imitando o Elvis, e o público se diverte. Um espetáculo único que deve deixar o verdadeiro com inveja. Tenho certeza que o cantor lá de cima, espiando atrás de uma nuvem, se pergunta. "Nossa, por que eu não fiz essa performance antes?".
O artista é morador do Jardim Paulista, estuda artes cênicas e possui vários outros personagens, fazendo apresentações aonde o chamam. Mas para ver o Elvis cantar, é preciso ir de quinta-feira a domingo, geralmente entre 10h e 16h.
Vá assistir e deixe uma gorjeta, ele merece.

domingo, 24 de março de 2013

O que é que São Paulo tem? Galerias musicais

Este quadro visa mostrar o que São Paulo tem de especial,
Não é somente o centro financeiro da América Latina. 

Próximo à Praça Ramos podemos encontrar três galerias frequentadas por tribos musicais bem variadas. Amantes do rock, do reggae, da salsa, e da música contemporânea, entre outros, se esbarram entre as galerias do mesmo quarteirão, formando uma salada musical.

Começo pelos roqueiros, por se tratar da galeria mais conhecida do Brasil. Isso porque a Galeria do Rock foi cenário da novela “Tempos Modernos”, exibida em 2010 pela tela da Globo. O comércio do espaço é quase todo voltado para produtos relacionados ao rock, venda de CDs, skate, confecção de tatuagens, etc.
A tribo que frequenta é homogênea: homens e mulheres geralmente de várias idades usam a cor preta, são tatuados em várias partes do corpo e alguns pintam os cabelos com cores chamativas.
Vários brincos de argolas decorando os contornos da orelha, ou pircings no umbigo, no lábio ou sabe-se lá onde mais. As caveiras são os desenhos mais usados nas camisetas. A linguagem corporal é outra: por exemplo, a saudação deles é deixar abertos somente os dedos polegar e o mindinho e fazem uma careta.
A galeria é frequentada tanto pelos roqueiros quanto por curiosos que vão observar algums excêntricos.

segunda-feira, 4 de março de 2013

Câncer de mama: você sabe fazer o autoexame?

A atriz Patricia Pillar há alguns anos fez um depoimento sobre os sintomas do câncer de mama que ela teve. Eu copio essa ideia porque considero importantíssimo que as mulheres saibam se examinar para detectar alguma doença invisível que pode ser câncer.

Há pouco tempo minha médica descobriu que eu possuía um nódulo no seio. Eu não tinha percebido, apesar de fazer vez ou outra o autoexame. Mas alguém nos ensinou como fazer o autoexame? Para mim pelo menos, não. Eu examinava nas axilas e em volta do seio, não na auréola.

Quando li o texto da atriz, passei a ficar atenta aos sintomas que ela mencionou: mamilo avermelhado, lesão, uma pápula parecendo espinha, com uma crosta, e coçava e queimava.

Para mim, não apareceu nada disso. O nódulo é imperceptível visualmente, indolor, não sai pus, não tem formato de espinha, difícil detectá-lo. O nódulo apareceu na altura da auréola. Para se examinar é melhor estar sentada e pressionar de leve com a ponta dos três dedos em volta da auréola. Ultimamente senti apenas uma queimação na região.
Outra coisa importante, com a mamografia e a punção não houve nada significativo que acusasse qualquer coisa. Fica então  o meu alerta para que as mulheres se examinem também desta forma.

Não me deram certeza 100% que seja câncer. Conforme o direcionamento que a equipe médica está fazendo, parece, mas tenho fé e pensamento positivo que o nódulo seja de fácil tratamento.

Aproveito para transmitir meus agradecimentos a uma amiga, a  mãezona, pelo apoio, e meus amigos.

sábado, 16 de fevereiro de 2013

O que é que São Paulo tem? Churrasco grego


Este quadro visa mostrar o que São Paulo tem de especial, que não é somente o centro financeiro da América Latina.

Conhecida também por ser referência em gastronomia, a cidade possui os melhores chefs de cozinha, pelo menos em nível nacional. Você pode conhecer a diversidade gastronômica visitando algumas das centenas de restaurantes de alto padrão reconhecidos internacionalmente, passando por cozinhas típicas regionais e internacionais, até as pizzarias que proliferam em cada esquina.

Mas aqui vou me limitar ao tradicional e popular que encontramos nos centros da cidade, não tão luxuosos, mas que carregam uma bagagem cultural e específica de São Paulo, como, por exemplo, o Churrasco Grego.

Diferente do que muitos pensam, o Churrasco Grego é originário da Turquia e seu nome verdadeiro é Kebab. Lá pros idos de 1.300 no Império yurco-otomano, os soldados eram alimentados com o kebab. A receita foi trazida para São Paulo muito provavelmente por um grego, por isso o nome. Aqui em Sampa é feito com capa de filé e temperado com cebola, pimentão e sal. Muiiiito gostoso.


domingo, 6 de janeiro de 2013

Ano Novo. Desesperança no futuro pode ser causa de suicídio

Manhã do dia 2 de janeiro. O Metrô, meio que vazio, parou no túnel algumas vezes. O operador do carro anunciou algo. Não me lembro bem das palavras exatas, mas informava que a razão da lentidão era uma obstrução de usuário. Após ter anunciado três vezes, na última avisou que o usuário já havia sido retirado do local.

Calafrio, isso significava o que eu esperava que não fosse.

Suspeita confirmada. Quando desci no Paraíso para fazer conexão com a linha verde do Metrô, percebi três funcionários em outra plataforma, com luvas cirúrgicas.

Ela já havia sido retirada, mas alguns objetos permaneciam. Me aproximei dos funcionários e, calada, apenas observei o trabalho rápido dos homens. Dentro do vão onde passa o carro, um trilho estava manchado de sangue e abaixo do outro havia uma possa. Um dos funcionários desceu o vão por uma escada de metal, se agachou, se reergueu e depositou um pedaço de pulseira de relógio sobre a plataforma. Na segunda levantada, um sapato feminino sem salto, surrado. E por último, um tufo de cabelo com pedaço do couro cabeludo. Entregou ao colega da plataforma, que embrulhou num saco plástico. Já dava para identificar algumas características: mulher, morena, pobre, solitária, desesperançada

A caminho da segunda linha, dois outros funcionários comentavam pesadamente o acontecido. Perguntei a um deles se foi grave. Respondeu que “não, ela caiu no vão, no meio do trilho, onde existe um buraco. Deve se salvar”.

Duvido. Eles são orientados a não revelar o acontecido. Um conhecido que também trabalha como operador confidenciou que vez ou outra o Metrô é lugar escolhido para praticar suicídio. Tudo é acobertado e a imprensa não divulga. Fala-se de suicídio na Suíça, na Espanha, mas, aqui, debaixo deste sol tropical paulista, estatisticamente não existe.

Essa mulher decidiu se suicidar um dia após à festa de Ano Novo, dia em que se fazem planos para o futuro, dia de reencontrar os antigos amigos, renovar os laços de amizade, ou comemorar em família se divertindo. Nessas épocas a mídia impiedosamente insiste em mostrar cenas de pessoas felizes, comemorando a passagem de ano, explosões de fogos de artifício que prenuncia o novo ano e a renovação de esperanças. Toda cena de felicidade da qual a mulher suicida certamente não dispunha.

A igreja dá seu pitaco quanto à ideia de autoflagelação definitiva. É contra. “Somente Deus pode tirar a vida”. E quem disse que esse comportamento não possa ser desígnio de Deus? Não julgo, entendo, entristeço em concluir que para alguns é a solução derradeira contra os problemas de uma alma destruída pela solidão ou pelas dificuldades que impõe a vida. A única forma de eliminar uma dor corrente, que vem das profundezas da alma, uma solução definitiva para quem não tem outra saída e não tem com quem contar.

domingo, 18 de novembro de 2012

Bienal - Arte interativa termina dia 9.

Falta pouco para a 30ª Bienal de São Paulo acabar.
Aproveite porque a exposição vale a pena de ser apreciada.
Diferente da anterior, ano passado, intituladda "Em Nome dos Artistas" quando postei neste blog uma crítica por conta do baixo nível de criatividade, desta vez a produção artística está de tirar o chapéu, com  bizarrices criativas, inovadoras, interativas e, algumas vezes, servindo para até para outros propósitos. 
Vão me perguntar: mas Bienal não é a cada dois anos? É sim, nos anos pares, mas a do ano passado parece ter sido um projeto especial para dar visibilidade a "artistas" sobretudo norte-americanos.
Uma das mais curiosas obras desta expo é esta acima, que, além de estar exposta, pode ser usada pelos visitantes para lavar as mãos.
O que mais atraiu a atenção foi a interatividade entre o visitante e o objeto. Neste exemplo, um homem pede a alguém da família fotografá-lo de maneira que o chapéu ficasse sobre a cabeça.
Mais abaixo, um artista alemão teve a paciência de fotografar centenas de pessoas que tivessem um mesmo perfil, uma mesma identidade
provocada seja através da roupa, do modo de se expressar ou mesmo da estampa de uma camisa. Escolheu cidades famosas de vários países, inclusive o Brasil, (av. Paulista incluída) e rua de comércio chique, também de São Paulo, além do Rio de Janeiro. 



A aranha transfigurada em esqueleto,
como se estivesse devorando a preza.
Desenhos de Sandra Vasquezde la Horra
lembram pinturas pesadas da mexicana Frida Kalo.



 Houve até mesmo  banquetas acolchoadas para  uma pausa 
das caminhadas e refletir sobre as obras. Alguns mais cansadinhos
tiraram até um cochilo.







Dispostos sobre uma das áreas, vários conchões usados, velhos e praticamente encardidos. Cada um deles possui audio reproduzindo conversas sobre a cama (leia-se "em cima da," e não que o assunto seja leito de dormir).  
E se fosse o seu colchão, o que ele teria a dizer, hein?
Êpa, não precisa entrar em detalhes.


A 30ª Bienal de São Paulo vai até o dia 9 de dezembro de 2012, no Parque Ibirapuera.
Sob o título iminência das poéticas e curadoria de Luis Pérez-Oramas,
a mostra recebe 110 artistas neste ano, sendo 21 deles brasileiros.



domingo, 11 de novembro de 2012

Chorando no Parque

Quem mora no ABC paulista, em especial São Bernardo do Campo, não pode deixar de assistir ao chorinho todos os segundos domingos do mês, sempre às 10h, o grupo Descendo a Serra. O Projeto Choro no Parque é uma parceria do grupo com a Secretaria de Cultura de São Bernardo.

Apesar da pouca divulgação da prefeitura, o chorinho recebeu um publico de cerca de 50 pessoas. Se houvesse investimento em publicidade para esse tipo de música, certamente haveria maior número de pessoas.
Acontece que não é sertanejo, não é axé, muito menos o tchu tchá tchá do Neymar. É a boa música brasileira para ouvidos seletos.

O grupo conta com quatro músicos com os  instrumentos violão, cavaquinho, pandeiro e bandolim. A roda de choro está aberta para os demais músicos desse ritmo que queiram dar uma palhinha.

O espetáculo é grátis e acontece no Parque Municipal Salvador Arena, Avenida Caminho do Mar, 2.980, Rudge Ramos.

terça-feira, 8 de maio de 2012

Bairro da Liberdade, reduto de orientais, reúne doutrinas de três continentes


 
Shinto, pedra localizada
no Largo da Pólvora 
O bairro da Liberdade, em São Paulo, possui a maior concentração de pessoas com olhos puxados. São asiáticos - na maioria japoneses - e seus descendentes que dominam o cenário da Liberdade. A lojas de artigos típicos do Japão, livrarias, templos budistas, restaurantes japoneses, coreanos e chineses, academias de judô e até as ruas centrais do bairro decoradas com as tão famosas luminárias típicas japonesas nos fazem remeter a uma cidade oriental. 
Livraria japonesa

Mas como não poderia deixar de ser, o bairro absorveu influências deste Brasil e do mundo, transformando numa salada cultural e religiosa dos três continentes Europa, África e Ásia. Podemos nos deparar, por exemplo, com um vendedor de frutas tropicais em frente a um restaurante oriental. Ou numa das esquinas, uma dupla de sertanejos tocando sanfona.
 
Vendedor de frutas

Capela Sta. Cruz dos
Enforcados, Praça da Liberdade


Por falar em religião, difícil encontrar outro local que concentre tanta diversidade religiosa como o bairro da Liberdade.  Os templos budistas são a maioria, mas seguidores das igrejas maronita, que é reconhecida cristã do Líbano, presbiteriana, maçônica, católica e até ortodoxa podem se deslocar até o bairro para acompanhar seus cultos.  

A imagem ao lado prova o sincretismo do bairro, que mostra um poste de luminária típica japonesa chamada suzurantõ, uma igreja católica e na calçada três baianas realizando o jogo de búzios, típico das religiões tradicionais africanas.

terça-feira, 1 de maio de 2012

Brasil criativo de Paraisópolis

O bairro do Morumbi é uma prova do enorme contraste social brasileiro. De um lado, existem grandes casarões de luxo e palácios e de outro, Paraisópolis, a segunda maior favela de São Paulo.
Sua população de aproximadamente 80.000 moradores, veio sobretudo do Nordeste, onde a taxa de analfabetismo é enorme. A pobreza dos moradores de Paraisópolis não impede a rica criatividade de alguns. São os exemplos de Estevão, Antonio et Antenor, nordestinos que vieram tentar a chance em São Paulo.
 Estevão, apelidado de “Gaudi brasileiro”, tem em sua moradia um modelo reduzido do parque Güell, em Barcelona, sem que ele jamais ouvisse falar do artista espanhol. Arcos, teto e muros são decorados com pratos de porcelana importada, louça, copos, pratos, pires, telefones, bonecas e tudo que a imaginação põe em prática. O conjunto forma uma decoração harmoniosa e charmosa. As estruturas em arco são distribuídas sobre três andares e em conexão à residência onde mora a familia, sua esposa e dois filhos. No seu interior,  tem-se a sensação de se perder dentro de um labirinto de 75 metros quadrados.
Próximo dali, a oficina mecânica de Antonio se transformou em galeria de arte. Ele recupera toda peça de automóvel e de motocicleta e os transforma en animais, pássaros, veículos, motos, dragões, insetos e personagens.
A moradia mais ecológica é a de Antenor. Ele construiu parte do segundo andar e a terraça de sua casa com garrafas PET de cor verde. Com talento de arquiteto e de artista, ele utilizou mais de 17 mil embagagens em polietileno para construir a Casa Verde. A transparência do material plástico ajuda a economizar eletricidade. Um pé de chuchu plantado por Antenor, dá um toque ainda mais ecológico à construção.

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Rio Perequê, pelos passos do padre Anchieta













Durante o tempo que estive longe do estado de São Paulo, convivendo quase que quotidianamente com estrangeiros francófonos ou hispânicos, percebi que existe um grande equívoco quando o assunto é turismo ecológico na capital paulista e nas regiões circunvizinhas. Quando eu perguntava por que eles não faziam turismo nessa região, me respondiam que o estado não possuía belezas naturais, nem rios, cachoeiras ou praia. Foi pensando nessa falta de conhecimento que resolvi me aprofundar no turismo ecológico de São Bernardo, onde encontramos diversos atrativos como a represa Billings e trilhas que levam seja a Paranapiacaba, seja ao litoral paulista.

História
Além de natureza, São Bernardo também faz parte da história do Brasil. Por estas terras passou o padre José de Anchieta, que ajudou a fundar São Paulo de Piratininga, além de portugueses e toda sorte de comerciantes. Os desbravadores certamente tiveram auxílio dos índios guarani, antigos moradores da região, ou do aventureiro João Ramalho, fundador de Santo André no século XVI  e grande conhecedor das matas.
Hoje não temos os guaranis nesse rio para nos guiar, mas podemos contar com profissionais especializados em trilhas amantes da natureza para seguir os passos do padre José de Anchieta, descendo até Cubatão. Ciro é um deles, adquiriu conhecimentos de biologia e geologia ao longo dos anos, nos mostra as plantas carnívoras ou explica o por quê da coloração dourada do rio do ouro, o que torna o passeio muito divertido e interessante.
No percurso, podemos até imaginar as caravanas que, segundo registros históricos, seguiam pela beira do rio Perequê durante o Brasil-colônia,. Algumas vezes desviavam das cachoeiras por causa das mulas carregadas de mantimentos e produtos. Eram dezenas delas, uma ou outra caía barranco abaixo.
Ao retornarem ao rio, os viajantes certamente faziam paradas estratégicas em prainhas do Perequê para repousar e beber da água cristalina. As mesmas prainhas que você pode parar para descansar, dar um mergulho e nadar até a cachoeira.

Quem não quiser descer toda a serra, pode pegar a trilha de 10 km até a  cachoeira das Garças, onde possui um precipício de 90 metros e uma paisagem de tirar o fôlego. A cachoeira das Garças é a linha divisória entre São Bernardo e Cubatão. O percurso tem grau de dificuldade mediano e dura aproximadamente cinco horas.  Vale muito a pena conhecer a mata atlântica, mas nunca faça a trilha sem um guia especializado porque pode se perder.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Pedacinhos de Sampa

 
São Paulo é uma das cidades mais modernas e belas do mundo. Sua imensa arquitetura em seus vários estilos não é apreciada como deveria porque o paulistano está sempre com pressa.
Nós não paramos para apreciar o que tem do bom e bonito. 
Se não, vamos ver, eu lanço um desafio.
Esta imagem que estão vendo, sabem de onde é? Os vitrais fazem parte de uma fachada renascentista-barroca, com um pouco de clássica.
O local tem a ver com as artes, uma construção do começo do século XX.









Se descobriram, parabéns. Mas, depois de assumirem que não conhecem esta beleza de vitral, vai se impressionar, porque fica bem no centro da cidade. São os vitrais do Teatro Municipal de São Paulo.



domingo, 1 de janeiro de 2012

Feliz 2012, debaixo de chuva!

2012

Meu primeiro réveillon passado em São Paulo,
depois de uns 20 anos.

Foi debaixo de uma chuva danada
que cantamos "Adeus Ano Velho..." ÊÊÊÊbaaaaa 
Passar o Ano Novo com a família, não tem preço.

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Automóvel: alto custo para pouca qualidade de vida.

A falta de transporte público de qualidade no Brasil continua sendo ótimo negócio para as empresas automobilísticas estrangeiras. Os lucros delas começaram por volta dos anos 50 com o lobby organizado pela Ford, Volkswagem, Mercedes Benz e Fiat, pressionando o governo a construir estradas pavimentadas no lugar de estradas de ferro. Verdade seja dita, o governo de Juscelino Kubitscheck promoveu o desenvolvimento do Brasil, no entanto esqueceu dos trilhos. A partir de então os governos negligenciaram o transporte em comum.

Em pleno século 21, no país que vai sediar a Copa do Mundo e as Olimpíadas, o transporte é precário: poucas linhas de metrô em grandes capitais e nenhuma em outras; sistema de transporte fluvial medíocre e ônibus imundos em várias cidades do Brasil, com atrasos insuportáveis e superlotados que deixam qualquer um com os nervos em frangalhos.

Na Europa, o transporte público funciona perfeitamente, com metrôs, ônibus e principalmente trens, muito utilizados por serem menos poluentes, rápidos, econômicos e não sofrem engarrafamentos. Eles se entrelaçam nas cidades e entre elas de forma a alcançar passageiros mais distantes. As viagens entre os países fronteiriços também podem ser feitas em TGV (Trem de Grande Velocidade). Até a classe média-alta faz uso deles.
Custos

No Brasil, a coisa é diferente. As pessoas ignoram quanto sai do bolso para usufruir de seu pequeno mundinho privativo, um gasto necessário diante da precariedade dos transportes. Contribuem,  mesmo involuntariamente, para outro caos por conta dos engarrafamentos e a poluição. Ainda pior, correm o risco de ter seu produto roubado ou ser vítima de  assalto ou sequestro, resultando muitas vezes em acontecimentos dramáticos e fatais.

O gasto na aquisição de um automóvel e sua manutenção prejudica o investimento em lazer, bem estar e qualidade de vida. Fiz uma pesquisa sobre o custo do automóvel seminovo de um morador de São Paulo, um de Salvador e um terceiro de Minas Gerais. Tirei uma média dos gastos mensais de gasolina, estacionamento, flanelinha, lavagem e seguro e multipliquei por 12 meses, resultando em R$ 20.887,92. Juntei também os valores de IPVA, seguro obrigatório, licenciamento, revisão anual, mecânico, reposição de peças, pedágio, alterando para  R$ 22.390,17. No final de seis anos, a média de gastos de um automóvel é R$ 169.337,02, sem contar o aumento inflacionário anual. É muito dinheiro.

A crítica levantada não é contra o automóvel particular, mas contra a falta de opções para se locomover na cidade com transportes comuns de primeiro mundo. Não é contra um bem material, mas o seu uso diário provoca poluição, engarrafamento, estresse, violência e acidentes.  Em São Paulo, o excesso de veículos fez o governo da capital paulista decretar o rodízio de carros proibindo sua circulação limitando o uso conforme o dia da semana e o final de chapa. Foi um tiro no pé. Provocou o aumento na compra de veículos para poder transitar com outro final de chapa durante o rodízio.

O custo de um automóvel poderia ser revertido em viagens com a família ao exterior, ou na aquisição de uma casa na praia ou até mesmo um hiate. A busca de soluções individuais para problemas coletivos oferece a falsa impressão de ter qualidade de vida. Resta precionar fortemente os governos, fazer um lobby como as multinacionais, para que se invista na qualidade de transportes.